A resistência do Oscar Frota em São Luís, área também conhecida como Xirizal

Retirada de bares construídos irregularmente causou grande impacto entre prostitutas, comerciantes ali estabelecidos e frequentadores

Douglas Cunha

O Imparcial

26/04/2015 04:02:35

Por menor que seja a chuva, a área da Praça do Mercado Central fica alagada criando grandes transtornos para veículos, pedestres e, principalmente, para os comerciantes ali estabelecidos, prejudicando a movimentação, também, do mercado. Diante de tão grave problema, o poder público resolveu agir e deu início à desocupação da área da galeria, onde outrora foi o igarapé do Portinho, por onde navegavam embarcações oriundas da Baixada maranhense, que traziam para a capital produtos alimentícios originados do setor primário.
 
A ação do poder público se iniciou na área conhecida como Oscar Frota, em alusão ao comerciante do mesmo nome ali foi estabelecido. Com o passar do tempo, em virtude de ter se tornado área de prostituição, recebeu a o nome “Xirizal”, evocando a denominação existente somente no Maranhão, da genitália feminina.

Técnicos da Prefeitura de São Luís fizeram a retirada do Bar São Sebastião, que ali se instalou há 40 anos e que foi expandido, ficando sobre a galeria. O local foi limpo e causou grande apreensão entre as prostitutas, comerciantes ali estabelecidos e frequentadores. Elas temendo perder o local para “trabalhar”. Os comerciante preocupados com os prejuízos e os frequentadores por não terem mais um local no centro para suas “diversões”.
 
Clientela em baixa
 
Com o fechamento do Bar São Sebastião, os frequentadores do ambiente imaginaram que o Xirizal havia acabado e se afastaram. Com a redução dos clientes aconteceu a lógica diminuição da rendas daquelas mulheres, aumentando-lhes a preocupação. Cada uma tem uma história que a levou para a prostituição, sendo mães solteiras e até donas de casa.

Danielle, 29 anos, faz “ponto” há mais de três anos, na região e lamenta que a sua renda diária tenha sofrido considerável baixa que ela avalia em mais de trinta por cento. “ Não tenho emprego e venho pra cá porque preciso. Sou mãe solteira e tenho um filho que depende de mim. Agora não sei o que fazer, pois não terei como ver mais os meus clientes”, afirmou.
 
Danianne, 23 anos, está há cinco meses fazendo a “vida” no Xirizal. Ela lamenta a retirada do Bar São Sebastião. Ela disse que o proprietário a quem ela chamou de “Barbudo” era muito amigo e tratava as mulheres muito bem. “O bar dele era o principal porque ficava de frente para a Avenida Magalhães de Almeida e atraia muitos clientes. Nas segundas-feiras e sábados chegava a fazer quatro “programas” logo pela manhã e no final do dia, conseguia ganhar até R$ 400,00. Tenho filhos para sustentar e como não tenho emprego, venho fazer  “programa”.

A situação mais grave é de Maria, 46 anos. Ele disse que reside na periferia de São José de Ribamar. É mãe de família, tendo um marido que há muito está desempregado e doente, e quatro filhos para sustentar.

Ele disse que o companheiro não sabe de sua atividade na prostituição e que ao sair de casa diz sempre que vem para o Centro de São Luís, trabalhar com faxina em casas de famílias. “Com isso eu levo algum dinheiro para casa para o sustento de minha família. Não consigo emprego em virtude de minha idade e também por não ter “estudos”  (escolaridade)”, afirmou. Ele disse que tem uma grande preocupação do marido vir a descobrir esta sua outra vida e que já até tentou mudar, mas não conseguiu faxinas suficientes para suprir suas necessidades.
 
Clima de tensão
 
Jorge de Jesus há mais de quinze anos vende alimentos com sua “bikelanches”, sendo muito conhecido pelas mulheres do Xirizal, havendo entre elas algumas freguesas para quem vendia fiado. Ele disse que está apreensivo porque a cidade já está cheia de bike lanches e ele era o único que trabalhava naquela área. “Minhas vendas diminuíram muito”, disse.

Ele avaliou que aquela obra não vai mudar muito a situação dos alagamentos na região da Praça do Mercado, pois a galeria não será desobstruída o suficiente, visto que dois grandes empreendimentos comerciais avançaram e tomaram parte da galeria. “Será que vão derrubar parte destes grandes comércios? “indaga Jorge de Jesus. Ele disse que com a retirada do Bar São Sebastião a área da galeria virou rota de fuga para os assaltantes que agem na praça e nas ruas adjacentes, e que por ali escapam da polícia.
 
Outro que está apreensivo é o comerciante Carlos Augusto Silva. Ele disse que trabalha certo com seu Bar Encontro dos Amigos, onde zela para que nenhum ilícito ali seja praticado, assim como tem dez empregados, todos com contratos na carteira de trabalho, respeitados seus direitos trabalhistas e previdenciários. Ele disse que, apesar do seu estabelecimento estar distante da galeria, teme que venha a ser prejudicado com a obra que ele questionou.
 
Para Carlos o trabalho anunciado não vai surtir o efeito desejado, pois aquela região está abaixo do nível do mar, o que faz com que nas marés altas se verifique os alagamentos em caso de ocorrência de chuvas simultaneamente. “Até agora a situação está grave com a redução do movimento comercial, visto que o impacto foi grande a muita gente pensou que todos os bares haviam fechado, mas somente o Bar São Sebastião saiu porque estava sobre a galeria”, sentenciou.



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