Terra de palmeiras, sabiás, violência e luta

Manoel da Conceição carrega no corpo as sequelas da luta pela reforma agrária

Janaina Amorim

24/05/2013 09:09:56

 

Manoel da Conceição perdeu uma das pernas na Ditadura Militar

13 de julho de 1968  – Governo de José Sarney. Um grupo de lavradores discutia questões agrárias, em Pindaremirim, quando a Polícia Militar se aproxima. “Quem é Manoel da Conceição?”, pergunta um dos policiais. O líder camponês se levanta. Quando se aproxima da porta, vários tiros são disparados.

Três atingem a perna direita do trabalhador. Ele é preso e levado à São Luís. A falta de assistência médica resulta na amputação. “Passei oito dias sem tratamento. A perna foi apodrecendo aos poucos. Tive que cortar.”

O episódio, talvez, seja mais conhecido da vida de Manoel. Mas para ele, não é o mais marcante. “O que mais me marcou foi terem me acusado de assassino. Nunca nem pensei em matar alguém, minha guerra sempre foi pela terra”, defende.

Essa foi só a primeira tortura física que o filho de lavradores do Vale do Rio Itapecuru sofreria. Em 1971, em Pindaremirim (Ma), novamente foi preso e dado como desaparecido. Passou três dias acorrentado a um poste. As feridas deixadas pelas correntes “davam quase no osso”.

Exibindo as marcas, lembra as torturas sofridas para que os demais “companheiros” fossem entregues. “Disse a eles [os policiais] que se quisessem, podiam me matar, mas não ia denunciar ninguém”, conta com orgulho.

Durante os dias mais intensos de luta do líder camponês a liberdade foi pequena – em todos os aspectos. Em 1975, é novamente preso, desta vez em São Paulo. Foi solto devido a intervenção da Ansitia Internacional. O irmão mais novo – o “Zequinha”, foi preso e até hoje está desaparecido.

O início da luta – Manoel da Conceição nasceu em 25 de julho de 1934. Nunca frequentou a escola. Foi alfabetizado em casa, “com o ABC”. Aos cinco anos começou a revolta com as injustiças sociais, quando viu os pais perderem o único meio de sustento: a terra. Violência que presenciou muitas outras vezes, com inúmeros agricultores. O episódio obrigou a família a se mudar de Pirapemas para Bacabal.

Foi no Movimento de Educação de Base (MEB) que Manoel foi motivado a lutar pela reforma agrária. Desde então, já passou por países como a China, Vietnã, Camboja.

Hoje, o caminhar sem muita firmeza denunciam as sequelas deixadas pela Ditadura Militar. Sua luta resultou em muita tortura, uma perna perdida e 100 alqueires de terra distribuída. “Não me arrendo. Valeu a pena. Era preciso alguém que assumisse a luta”.

 



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